domingo, 18 de abril de 2010

mais uma sobre silos de arroz

hum... a ideia inicial era não escrever com minhas próprias palavras,mas devo abrir uma exceção. alguns anos atrás escrevi algumas coisas inspiradas no trecho Rio Grande- Jaguarão. Perdi a conta de quantas vezes repeti esse trajeto nos últimos 20 anos. O antigo texto, comentava sobre a transformação na paisagem com os silos de arroz. Essa observação foi seguida por um discurso ambientalista fervoroso, com argumentos numéricos sobre economia de água e outros que já não me lembro mais. Nesse final de semana, quando repeti esse trajeto de duas maneiras muito especiais (na ida sozinha, e na volta dirigindo), tive saudade. Um sentimento egocêntrico, diferente da saudade que costumo sentir. Não era de alguém, de um momento, de palavras, de sorrisos, de cheiros, de sensações. Era saudade de mim. Não da pessoa que eu era uma ano atrás, mas da pessoa que sabia quantos km da Amazônia eram desmatados por hora para criação de bois e vacas, da mandika que devorava uma super interessante, que defendia o partido verde. Me senti mais e menos bióloga ao mesmo tempo, por mais estranho que pareça. Mais, porque agora as margaridinhas da estrada são asteráceas. E menos, porque não faço idéia de como anda a camada de ozônio.
Quando voltei e senti a velha saudade, desejei nunca mais senti-la. Um sentimento que eu costumava cultivar, considerava bom e saudável lembrar e reviver certas coisas. Mas estou cansada das velhas lembranças, dos velhos fantasmas, das velhas prisões.


Stop just making a living. Start making a life.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Paula Taitelbaum

antes de mostrar os poemas dela, vou contar como a descobri: em um aniversário, a tyta me mandou uma carta estilo P.S.: eu te amo. e uma das instruções foi conhecer um autor novo, ler coisas novas. no mesmo momento, fui na livraria e pousei os olhos nesse livro Ménage à trois, da Paula Taitelbaum.
a poesia é leve, e o jogo que ela faz com as palavras muito divertido. acho que sei de alguém que ia gostar. ; )




Volta e meia
Dou meia volta
E volto ao início
Volta e meia
Meio que volto
Meio que fico
Volta e meia
Em meio a uma volta
Eu me complico
Volta e meia
No meio da rua
Dando uma volta
Volto a ser tua.


___________________________
Me embriago com a tua presença
Saio de mim sem pedir licença
Fico tonta
E por isso não me dou conta
Que talvez por covardia
Tudo não passe de fantasia.


___________________________
Apesar do olho no olho
Mais uma vez eu fiquei de molho.

domingo, 11 de abril de 2010

O dia do Curinga- Jostein Gaarder

eu adoro a forma que como ele incluiu a filosofia nesse livro. de uma forma sutil, leve e divertida.
escolhi esse trecho pensando no final de semana super bom que tive. que incluiu também, umas filosofadas no sábado a noite.


[...] Achei a história bastante convincente,mas meu pai ainda não tinha terminado. Ele apontou, então, para todos aqueles turistas que saíam aos montes dos ônibus estacionados lá embaixo, perto da estrada, e subiam como formigas pelo terreno acidentado onde estavam as ruínas do templo.
-Se no meio de todas essas pessoas houver apenas uma que se surpreenda com a vida a cada instante e tenha a sensação, toda vez que isso acontece, de estar diante de algo fabuloso e enigmático... - respirou fundo e prosseguiu:- Você está vendo um monte de gente lá embaio,não está, Hans-Thomas? Pois bem...se apenas uma delas experimentar a vida como uma aventura fantástica...e se ele ou ela experimentar essa sensação todos os dias...
-Sim?- perguntei ancioso,pois pela segunda vez ele não tinha completado o que queria dizer.
-Ele ou ela será um curinga do baralho.



No livro ele diz que é raro encontrar curingas. Dei muita sorte, pois estou cercada deles. xD

sábado, 10 de abril de 2010

Quase

é o quase que me imcomoda,que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono!

Luiz Fernando Veríssimo

link para a comunidade no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?rl=cpp&cmm=52289536

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O verbo no infinito

O Verbo no Infinito


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito…


Vinícius de Moraes

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Verbo ser- Drummond

Com toda licença da Mari, faço minhas as palavras do Dru:

Verbo ser
Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três. E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser,ser,ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas

" "Gatinho de Cheshire" começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu ainda mais o sorriso. "Vamos, parece ter gostado até agora", pensou Alice,e continuou. "Poderia me dizer,por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"
"Isso depende de onde você quer chegar",disse o gato.
"O lugar não importa muito...", disse Alice.
"Então não importa que caminho você vai tomar",disse o gato.
"...desde que eu chegue a algum lugar", acrescentou Alice em forma de explicação.
"Oh, você vai certamente chegar a algum lugar", disse o gato, "se caminhar bastante." "

Alice no País das Maravilhas- Lewis Carroll

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O que você faz depois que é feliz?

Passei uns três dias pensando nessa resposta... tristemente,cheguei a conclusão que depois de ser feliz, me preparo. me preparo para a tristeza que está por vir... é tudo muito cíclico...


Dias depois, arrumando o armário achei umas marcações interessantes que fiz no livro Amar,verbo intransitivo de Mário de Andrade. Uma delas combina com o que quis dizer:


"Carlos esses três dias viveu? Eu não sei se alcançar a felicidade máxima, extasiar-se, e sentir que ela, apesar de superlativa, inda cresce, e reparar que inda pode crescer mais... isso é viver? A felicidade é tão oposta a vida que, estando nela,a gente esquece que vive. Depois qundo acaba, dure pouco,dure muito, fica apenas aquela impressão do segundo. Nem isso, impressão de hiato, de defeito de sintaxe logo corrigido, vertigem em que ninguém dá tento de si. E fica mais essa idéia que retoma-se de novo a vida, que das portas do Paraíso Terrestre em diante é sofrer e impedimento só. Estou convencido: Carlos não viveu esses três dias."

domingo, 4 de abril de 2010

Van Gogh

Starry Night over the Rhône.

em uma carta para seu irmão Theo, Van Gogh escreveu sobre as estrelas:

"Why should those points of light in the firmament... be less accessible than the dark ones on the map of France?
We take a train to go to Tarascon or Rouen and we take death to reach a star."

YELLOW OF FRESH BUTTER.


Coldplay

ando muito viciada no instrumental deles!

http://www.youtube.com/watch?v=P_c0pAg2z8o

Death and all his friends, do último cd VIVA LA VIDA.

oi : )

O grande objetivo deste blog é dividir um pouco das coisas que gosto de ler,ver e ouvir.
Alguns nomes serão recorrentes por aqui: Manuel Bandeira, Lenny Kravitz, Maria Gadú...

Começo com um dos meus favoritos de todos os tempos, que se aplica muito a mim e a tudo que vocês verão por aqui:

A vida assim nos afeiçoa
Mas horas há que marcam fundo...
Feitas,em cada um de nós,
De eternidades de segundo,
Cuja saudade extingue a voz.

...

E a vida vai tecendo laços
Quase impossíveis de romper:
Tudo o que amamos são pedaços
Vivos do nosso próprio ser.

Manuel Bandeira


Aceito sugestões SEMPRE. : )